21.5.13

Ao correr da pena... XVII

Gosto de, sentadinho à minha secretária, olhar as gaivotas a voejarem em contraluz de encontro ao ora alaranjado, ora avermelhado do poente, que todos os dias tenho a soerguer-se daquele mar lindo, que sei estar além do recorte das casas da frente mar. O silêncio é total, mas a atenção e a maravilha não lhe ficam atrás. 
E elas planam, planam e planam neste crepúsculo gradativo que se repete dia após dia. Não quereria dizer uma boutade, mas diria que é invisível o som do seu planar... Tão invisível, quanto gracioso. Tão invisível, quanto belo! Quase sustenho a respiração e fico aqui sentado até que a negritude daquela ave se mescla numa unidade plena com o negro da noite que se aproxima (e que sempre sempre se aproxima)... E assim vou estando em paz, enquanto a maravilha se esvai! 
Uma paz relativa, mas ainda assim... paz!

4 comentários:

Ana Paula disse...

Palavras tão carregadas de sentimentos, tão bem escritas e descritas que pude ver uma bela imagem, qual tuas belas fotografias.
Bj

Mona Lisa disse...

Lendo-te, consegui visualizar e sentir o que descreveste...

A noite sempre se aproxima, sim!Contudo, há dias que são apenas noite e o silêncio a única companhia.

Beijinhos.

Margarida Belchior disse...

Há muito poucas coisas tão boas, ou melhores, na vida ... a darem-nos esse sentimento e sensação de paz. Temos que as aproveitar o melhor que podemos e sabemos.
:-)


Beijinhos grds

Graça Pimentel disse...

Agora a inveja é da tua secretária...

beijo