Toda a minha vida fui gozado por usar palavras "caras". É, quanto a mim, uma total estupidez gozar alguém por utilizar palavras menos populares. São parte da língua. Têm tanta dignidade como as outras.
Quem as usa pode até fazê-lo para marcar a individualidade ou a superioridade/riqueza da sua instrução, mas e daí? Uma pessoa pode bem orgulhar-se de ter trabalhado sobre si mesma, e de ter queimado as pestanas a ler Aquilino Ribeiro para saber o nome de coisas diferentes ou nomes diferentes para as mesmas coisas. É motivo de orgulho. E porque há-de suscitar inveja e hostilidade?
As pessoas veem-no como uma ameaça qualquer, suponho. Desprezam, minimizam, ridicularizam, em suma, desincentivam que a gente se cultive. Suponho que derive isso da sua tendência para o facilitismo e de uma mesquinhez cultural, fruto precisamente do seu défice de instrução e tantas vezes de educação.
Pessoalmente, sou sensível à ideia de procurar simplificar, no sentido de adequar o meu discurso ao meu interlocutor e ao contexto em que me movo. Mas não vou deixar de ser como quero ser para que ninguém se sinta constrangido por vezes ao me ouvir dizer esta ou aquela expressão menos habitual.
Apesar de ser desejável que o exposto no post não se verificasse (manifestações de incultura são sempre de lamentar), a verdade é que eu não faria nada para ridicularizar ou censurar tais pessoas, porque, muito sinceramente, acho melhor que se veja fome de cultura (mesmo que resulte em manifestações de ignorância risíveis), do que se veja o facilitismo assumido.
Essas situações que dão mote ao post provam que há pessoas que foram de algum modo impressionadas/sensibilizadas por níveis mais profundos de cultura/linguagem, e que tentam, dentro do que lhes é possível, emular as gentes cultas. Não vejo por isso nada de criticável. Devemos isso sim, estimular essas pessoas a enquadrarem devidamente esses termos e expressões, sem deles abdicarem.
1 comentário:
Toda a minha vida fui gozado por usar palavras "caras".
É, quanto a mim, uma total estupidez gozar alguém por utilizar palavras menos populares. São parte da língua. Têm tanta dignidade como as outras.
Quem as usa pode até fazê-lo para marcar a individualidade ou a superioridade/riqueza da sua instrução, mas e daí? Uma pessoa pode bem orgulhar-se de ter trabalhado sobre si mesma, e de ter queimado as pestanas a ler Aquilino Ribeiro para saber o nome de coisas diferentes ou nomes diferentes para as mesmas coisas. É motivo de orgulho. E porque há-de suscitar inveja e hostilidade?
As pessoas veem-no como uma ameaça qualquer, suponho. Desprezam, minimizam, ridicularizam, em suma, desincentivam que a gente se cultive. Suponho que derive isso da sua tendência para o facilitismo e de uma mesquinhez cultural, fruto precisamente do seu défice de instrução e tantas vezes de educação.
Pessoalmente, sou sensível à ideia de procurar simplificar, no sentido de adequar o meu discurso ao meu interlocutor e ao contexto em que me movo. Mas não vou deixar de ser como quero ser para que ninguém se sinta constrangido por vezes ao me ouvir dizer esta ou aquela expressão menos habitual.
Apesar de ser desejável que o exposto no post não se verificasse (manifestações de incultura são sempre de lamentar), a verdade é que eu não faria nada para ridicularizar ou censurar tais pessoas, porque, muito sinceramente, acho melhor que se veja fome de cultura (mesmo que resulte em manifestações de ignorância risíveis), do que se veja o facilitismo assumido.
Essas situações que dão mote ao post provam que há pessoas que foram de algum modo impressionadas/sensibilizadas por níveis mais profundos de cultura/linguagem, e que tentam, dentro do que lhes é possível, emular as gentes cultas. Não vejo por isso nada de criticável. Devemos isso sim, estimular essas pessoas a enquadrarem devidamente esses termos e expressões, sem deles abdicarem.
Abraços por aí.
Salazar - www.teelook.com
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