Seja como for, os candeeiros introduzem sempre uma nota de romantismo na paisagem urbana e a iluminação suave sempre foi da predilecção daqueles que buscam uma penumbra para roubarem (ou oferecerem) um beijo ao outro...
Há espigueiros para todos os gostos, mas pouca gente conhece a função daquelas quatro pedras redondas e lisas (por baixo) que encimam os quatro pilares que o sustentam!! Têm a função única de impedirem os ratos que sobem pelos pilares de acederem ao milho que o espigueiro tem por função resguardar!
Não há festa nem festança, a que não vá a D. Constança! E os tempos de festa, de sorrisos e de alegria começam precisamente daqui para a frente até Outubro adentro... É um bom meio ano cheio deste ânimo que nos faz sorrir onde quer que vejamos sinais dela!
O Homem sempre teve a necessidade da ordenação, da catalogação, da mensurabilidade, de engendrar as mais variadas tábuas classificativas. E para isso usa os números... e usou-os ainda bem primeiro que as letras!
Quem nunca comeu uma boa sopa de couves, batata e feijão feita ao lume vivo e dentro de um pote destes, perdeu uma das mais baratas oportunidades de ter estado à porta do paraíso! Tive essa sorte por várias vezes e evoco aqui essa oportunidade, que transmitirei apenas em teoria aos meus netos.
Um exemplo do cubismo?! Naaa... nada disso. Apenas e tão só uma construção inacabada. As elaborações intelectuais, por vezes (?!), desligam-se da realidade e aí perdem todo o seu sentido útil. Claro que a ciência pura é imprescindível... para compreendermos e podermos utilizar com sucesso a ciência prática.
Memórias que continuarão a ser memórias. Não há uma qualquer possibilidade de se retornar aos tempos em que eles chiavam nos caminhos das aldeias sob o peso das cargas que transportavam. Não há nostalgia que nos valha. Foi um tempo que passou em definitivo.
Trata-se de engenho, que pode ter duas acepções: por um lado a capacidade inventiva; habilidade, talento; por outro lado pode ser aplicada a qualquer máquina, neste caso destinada a puxar água... e só com engenho se constrói um engenho!
Uma porta fechada. Simplesmente isso ou muito mais do que isso? A primeira ideia que me invade é a de propriedade. De seguida surge-me uma outra que é a de proibição. Com alguma bondade vislumbro a ideia de segurança, mas não me consigo libertar das duas primeiras...
Não diria que é giro, mas que plasticamente é apelativo já seria capaz de afirmar. E cor é sempre sinónimo de alegria, pelo que o objectivo foi plenamente conseguido. A foto é assim alegre e não bonita. E acrescentaria que tem algo de kitsch que não me agrada.
Existe muita tristeza no mundo... agora mesmo, enquanto você lê isto ao menos 7 milhões de pessoas estão fazendo amor! E você está no computador... Isto é bem triste!
Parece ter subido até ao telhado, estando a inspeccionar o que se passará do outro lado. Pois, se fosse humano era o que diríamos, mas o certo é que a diferença entre os humanos e os demais seres não é suficiente para impedir certas atitudes ou comportamentos coincidentes... olhar talvez para a freguesia vizinha!
Como as descobri?! Vale a pena contar a história. Andava entretido por ali a fotografar e comecei a ouvir uma sinfonia vinda de um pequeno lago. Aproximei-me e... esconderam-se todas. Deixei-me estar por ali quietinho e aos poucos regressaram para que lhes pudesse tirar o boneco...
Tenho que fazer uma revisitação deste espaço de eleição. Três anos depois, e durante esta boa Primavera, é talvez a altura certa de lá ir buscar (fotograficamente) umas flores para as oferecer aqui. É uma obrigação lá voltar... e voltarei.
Já faz tempo e gostava de lá voltar. É uma aventura chegar até lá. Num cabeço montanhoso uma aldeia abandonada, em que os seus poucos habitantes se dedicavam à pastorícia. Hoje em dia a única companhia que se tem neste paraíso é o silêncio.
Cá estamos de novo neste lugar lindo! Está tudo preparado para que o espelho de água se agite com os saltos para a água da rapaziada que por aqui se diverte nos dias em que apetece mergulhar...
Saber o céu abraçar
Se este céu fosse o mar
Então, não fiques a olhar
Vem, mergulhar...
Era originalmente um candeeiro de parede a gás, hoje transformado verticalmente em candeeiro electrificado de mesinha de cabeceira. Ao accionar o interruptor, com o quarto já às escuras e em que tudo se torna claro, começava aquele tempo curto antes do adormecer em que sonhava acordado...
Há objectos que fazemos nossos à força de os vermos por toda uma vida. Sempre ali estiveram, sempre os olhamos, sempre pegamos neles, sempre os mudamos de sítio uma ou outra vez... mas sempre estiveram ali! Fazem parte de nós.
Atlas foi condenado por Zeus a sustentar os céus para sempre. Céus onde está a estrela brilhante que permitia ao meu avô namorar com a minha avó, na 1ª Guerra Mundial, a milhares de quilómetros de distância, fixando os dois a mesma estrela, que graças a Atlas aparecia todas as noites no mesmo lugar do firmamento!
É bom voltar aqui. Descobri que esta foto tinha ficado para trás e num exercício de memória de um dia em que fui levado a descobrir este lugar lindo e cujo percurso atribulado, porque cheio de vários enganos, dá-nos hoje a certeza que os enganos valeram bem a linda descoberta que estávamos a fazer.
Quase quase a última réstea de sol deste dia! Depois ainda surgem inúmeras cambiantes de cores e de luminosidade. É um contínuo espectáculo diário em que é apenas preciso assomar à varanda e fazer vários cliques...
É um prazer toujours contínuo ver a beleza a transmutar-se semana a semana. Raramente nos vemos mais que uma vez na semana, mas o encontro é sempre único, sorridente e agradabilíssimo. Fica aqui mais uma imagem desse encontro fora dos olhares dos demais.
Já aqui editei fotos de jarros, mas desta vez o que me chamou a atenção foi a luz rasante de um fim de tarde que lhes dá um tom acolhedor e diferente... uma patine que os torna mais atraentes ao meu olhar.
Pois cá estão elas de novo. Hummm... um óptimo sinal. São o belo efémero... E não será a característica principal do belo a sua total efemeridade?! Não diz o ditado... que não há bem que não acabe?! É que a gente só retém a primeira parte do ditado que é a que nos é esperançosa... não há mal que sempre dure!
A questão do emprego do artigo não é indiferente. Tanto posso dizer este é um caminho, como direi este é o caminho. E ao dizê-lo, digo coisas diferentes. Na primeira frase há uma atitude de alguma indiferença, já na segunda há uma indicação de pertença, de uma comunhão voluntarista. Esta última é bem mais impressiva.
Saramago escreveu o romance Levantado do chão em homenagem àqueles que não se domaram e que lutaram. Esta árvore portentosa ergue-se da terra com uma verticalidade que nos espanta e que vai rareando na sociedade, mas ainda não na natureza!
Esta paisagem com esta patine nebulosa, faz-me lembrar os lindos cenários daquelas séries britânicas de imensa qualidade, que nos preenchiam os serões ao sofá aqui há uns anitos. Foram séries que marcaram uma época. Depois... depois estragaram tudo com as telenovelas.
Delicadamente frágil e lindo. Eis que os brotos emergem da planta, com a graça de quem é pequeno, precisando de alguns cuidados suplementares para não se perder. Esta fragilidade sempre delicada é sempre algo que nos toca... e nos comove!
Já perdi a conta das vezes que fui até Castelo Novo. Há lugares, onde sem sabermos a razão, nos sentimos especialmente bem. Não sei se tem a ver com geo qualquer coisa... Mas a mim não me interessa a razão. Interessa-me é que lá me sinto bem e que voltarei.
É conhecida a minha afeição pelos cães e chego-me a eles, quer sejam conhecidos ou não... mas nunca por nunca quando se sentem ameaçados, pois aí defendem-se... atacando. A sua única função era defender aquele território e faziam-no como uns valentes! Apreciei-os. Gosto de gente valente!
Pois... começa a Primavera e já apetece! Mais uma semana e muda a hora. Os dias voltam, como por um passe de magia, a serem grandes de novo... e com isso sinto-me melhor. Oh se sinto! Entro no meu tempo... o tempo em que me sinto bem!
Quem é daqui não se cansa de olhar o mar. Ele faz parte de nós. E tanto faz parte, que queremos transmitir aos outros a importância que ele tem para nós. E ao fazermos isso também estamos a dizer a quem nos ouve a importância que esse ouvinte tem para nós. Só se partilha um gosto com quem se gosta.
O meu cunhado tem uma magnífica colecção de cactos (a verdade é que já tiveram melhores dias...) e é um prazer poder fotografá-los na floração... tanto mais bela, quanto efémera! É preciso estar lá no dia certo... E quando se acerta no dia, sai esta maravilha!
E volta não volta lá estou eu e a água. É mesmo uma referência para mim.... uma ligação que não sei explicar, mas que vem muito cá de dentro. Mas apesar de ser do mar, não é a essa água que mais me ligo, mas sim à que chamamos de água doce! Talvez por isso as minhas férias sejam sempre para o interior...
Aqui por perto e um dos meus passeios preferidos, em qualquer época do ano, é uma fugidinha até ao Monte da Senhora da Graça, donde se alcança uma vista única sobre a região de Basto e sobre o Marão. E para os amantes da bicicleta aquela subida é um festival todos os anos em Agosto.
Quando aguardamos a onda e depois mergulhamos nela, há uma dúvida que se me coloca: penetramos a onda ou seremos nós envolvidos por ela?! A questão pode ser transposta para as mais diversas situações da vida... e até para o amor! E não é uma questão de perspectiva, mas de sentimento.
Les jeux sont faits... poderíamos dizê-lo se se tratasse de uma mesa de jogo num casino! Aqui trata-se de uma bela ramada no Minho e teríamos que corrigir frase para os trabalhos estão feitos! A poda está feita e amanhã é um outro dia. O dia de ontem só contou para ontem... e o ciclo do vinho recomeçará em breve.
Há alturas da vida em que parece que o mundo desaba sobre nós e todas as portas se fecham. Há notícias que nos surpreendem, quer em termos de conteúdo, quer de autoria e tudo se altera do dia para a noite. E como dizia o Poeta...
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança:
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.
Espalhem a notícia Do mistério da delícia Desse ventre Espalhem a notícia do que é quente E se parece Com o que é firme e com o que é vago Esse ventre que eu afago Que eu bebia de um só trago Se pudesse
Divulguem o encanto Do ventre de que canto Que hoje toco A pele onde à tardinha desemboco Tão cansado Esse ventre vagabundo Que foi rente e foi fecundo Que eu bebia até ao fundo Saciado
Esta mensagem encontra-se no corpo do farol do cais norte aqui na Póvoa. Quem a escreveu? A quem foi dirigida? Nem sei qual o significado daquele símbolo que ali aparece, mas a mensagem em si diz tudo. A frase está completa. Existem sorrisos por ali!
Falta pouco para que as glicínias voltem a espreitar para as ruas por detrás dos muros que as guardam! Elas são de uma beleza única e recatada... e como as aprecio nessa forma de estar e de se nos mostrarem! Sabem que são belas, sem ostentação... e nisso reside o seu encanto.
Linhas para entrançar e suspender as redes. Esta é uma arte algo complicada que vai passando de pais para filhos, guardando-se os segredos como se de verdadeiros tesouros se tratasse. E, sim, efectivamente trata-se de um tesouro: é a sobrevivência de cada família que está em causa.
O meu avô costumava contar-me histórias do tempo em que "os animais falavam"! Ora se fosse hoje diria ao meu avô, que era uma pessoa encantadora, que bastava ver os animais de direita nos telejornais para percebermos que ainda estamos dentro desse nosso tempo! Parece que nada mudou há séculos!
O mar poucas vezes é pacífico e faz seus cativos aqueles que nele procuram sustento. Ele é capaz de tudo. De uma fúria indómita e da mais plácida paz! É belo nas duas formas de se nos apresentar, só que nunca sabemos com certeza qual o seu estado de espírito.
Gaivotas em terra, porque lhes tiraram o pão no mar! Esta nossa sociedade não tem conserto! Estão ali à espera da descarga do peixe dos barcos atracados, pois o mar já não lhes dá o sustento Se fossem governadas pelo Passinhos era-lhes dito para emigrarem e ainda eram apelidadas de piegas!
Pintura abstracta? Nada disso. Apenas a beleza do que é natural em todo o seu esplendor! A fotografia era obrigatória. É importante saber ver a beleza e partilhá-la. Ela não me é indiferente, antes pelo contrário.
É ouvi-las com o seu grasnar lúgubre a pairarem onde há peixe miúdo à tona da água. É um espectáculo aquele voo raso constante, dando uma bicada aqui ou ali... e lá sobem com o peixito no bico...
Agora os corvos marinhos são uma presença constante aqui na no porto de pesca, mas não o eram aqui há uns anos largos. Que se terá passado para que esta alteração tivesse acontecido?! A resposta fica para os peritos...
Os pescadores e os mirones andam sempre juntos! E só quem nunca pescou ou foi mero observador é que se pode espantar com esta cena. Há sempre alguém que pára e pergunta se a coisa está a dar?! É a pergunta sacrossanta que tem sempre uma resposta.
É um lugar sóbrio, isolado e belíssimo. Ali parece que aquela visão do nosso mundo parou! Quantas vezes já sentimos isso?! Ali apenas estamos nós e nada mais existe. Estamos absorvidos pela beleza e só temos olhos para ela. O demais não tem lugar quando nos sentimos assim.